Atualizado: Fev 15

Por Eliana Abdo Alaby / 18/01/2021 / eaa.as.psi@gmail.com


Você já ouviu falar em dança circular? Você dança ou alguma vez já dançou? Percebeu o que a dança fala a seu respeito?

A dança é uma das atividades simbólicas mais antigas, pode ser considerada uma das primeiras manifestações artísticas da humanidade. Em todos os tempos e para todos os povos, a dança sempre esteve presente em rituais, colheitas, casamentos. Se pensarmos no movimento dos planetas eles também dançam, as estações da natureza, primavera, verão, outono e inverno, fazem um lindo bailado, num movimento de expansão e contração.

Segundo Wosien[1], a dança é o primeiro testemunho de comunicação criativa. Para dançar precisamos do corpo como instrumento. É a única arte que não depende de nenhum elemento intermediário para ser concretizada, pois o ser humano dançante é ao mesmo tempo criador e criação.

Woisen acrescenta:

“na “(..) música e na dança popular, vivenciamos a essência de um povo e sua tradição artística, onde podemos ler o caráter, a imagem anímica, a vida e seus enraizamentos.

Em 1976, através de um pedido de Peter Caddy, um dos fundadores das Ecovilas na Comunidade De Findhorn (norte da Escócia); Wosien levou para os moradores uma coletânea de músicas e danças de roda, somando a elas uma consciência de círculo, mostrando a importância da conexão entre as pessoas.

Nesse cenário, ele encontrou um terreno fértil; aos poucos mais e mais pessoas chegavam, dançavam e sentiam as rodas como uma forma de meditação em movimento e um caminho para o silêncio. Woisen ressaltava: “ao dançar, o mundo é de novo circulado e passado de mão em mão (...) sentimos na caminhada uma mudança através de uma reviravolta conjunta (...). Na atuação conjunta de ritmo, melodia e compasso, as camadas mais antigas do fundo do poço da alma ganham vida, e como, por um toque de mitos de outrora, fecundam criativamente o momento”.

Cada vez mais Bernhard Wosien buscou os significados dos símbolos para compreender os passos e manifestações que a dança abarcava; para ele a dança constituía-se como uma vivência harmoniosa do corpo e das emoções.

Assim nasciam as danças circulares sagradas. Sagradas porque as danças, não são apenas atividade física, mas há um envolvimento dos corpos: mental, emocional, energético e espiritual auxiliando a promover um alinhamento entre a terra e o espírito.

No próximo artigo falaremos como as danças circulares sagradas chegaram no Brasil e o papel do focalizador.


Referência Bibliográfica

- Wosien, Bernhard. Dança: um caminho para a totalidade. Ed Triom, 2000.

[1]¹-Bernhard Wosien, nasceu em 1908 na Passien Prússia ao Leste, na Alemanha. Estudou teologia, dança, história da arte e pintura, bailarino, coreógrafo e professor. Faleceu em 1986.

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