Negacionismo: visão psicológica

Por Vera Marini - saberterapeutico@gmail.com


Em decorrência da pandemia contamos até o momento com 2.578.785 mortos aproximadamente, no mundo.


Apesar desses números, encontramos diariamente pessoas que apresentam comportamento negacionista diante dos fatos divulgados pelos meios de comunicação.


Imagens de profissionais da saúde esgotados, desespero das famílias e doentes sem conseguirem leitos devido a superlotação nos hospitais, além do incontável número de covas abertas, faz com que os negacionistas sejam insensíveis a essa realidade.


Afirmam que é histeria coletiva, que o colapso não está ocorrendo, que a cloroquina está sofrendo ataques devido a teoria da conspiração existente no mundo, que os números divulgados não são verídicos, isso tudo coroado pelo uso da pandemia como arma política desprovida de compaixão pelo próximo.


Na atualidade, alguns afirmam que não há mundo para todos, sendo assim, os dirigentes abandonaram a perspectiva de que os homens poderiam prosperar com equidade passando a mentir descaradamente minimizando a gravidade da Covid-19 para se proteger.


O que faz uma pessoa, mesmo diante dessa realidade, negar sua existência?


Do ponto de vista psicológico, procuramos nos defender da dor, da angústia, do medo, da incerteza vinda de um ambiente externo a nós.


O mundo exterior é visto e percebido como fonte de prazer e interesse, quando impedidos de desfrutá-lo como gostaríamos ou estávamos acostumados, sentimo-nos angustiados.


Esse é um dos motivos pelos quais alguns transformam a Covid-19, fator de angústia, medo e incerteza, em uma gripezinha, deslocando esses sentimentos desconfortáveis para as pessoas que, segundo os negacionistas, estão exagerando.


A histeria referida é a tentativa psicológica de convencer a si mesmo de que os histéricos é que estão angustiados, não eu, porque é só uma gripezinha!


Como se dá a evitação dessa angústia? Por meio da recusa em conhecer a realidade desagradável e indesejável.


Qual é o mecanismo utilizado? Negação, inversão dos fatos e construção de outra realidade.


Se a pessoa é bem sucedida em suas distorções, torna-se insensível à realidade e sua fantasia continua, porque está sendo poupada de um contexto que não quer ver e nem conhecer para que sua saúde mental seja preservada.


Paradoxalmente, na medida em que a pessoa busca manter-se psicologicamente sã pela negação e distorção da realidade, fica evidente que ela está psiquicamente doente porque negar a realidade não combina com a capacidade cognitiva de reconhecer e comprová-la com discernimento.


Quando a negação é exteriorizada e confrontada pelos meios de comunicação, pelos órgãos científicos, pelas imagens, a angústia do negacionista é exposta, sendo necessário aumentar suas defesas para manter o discurso falacioso com força emocional e psicológica, mas desprovido de força lógica.


Segundo Paulo Freire no livro “Pedagogia do Oprimido”, o diálogo só pode ocorrer entre iguais e diferentes, nunca entre antagônicos.


Diante disso, talvez estejamos perdendo tempo e energias, tentando dialogar pois os negacionistas são pessoas antagônicas a toda e qualquer tentativa de serem trazidos à razão, sua dissonância cognitiva tem como objetivo disseminar dúvida, e seu benefício é o distanciamento da dura realidade que não desejam enfrentar.


Bibliografia recomendada:


- FREUD, Anna. O ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre, Artmed, 2006

- MOREL, Ana Paula Massadar. Negacionismo da Covid-19 e educação popular em saúde: para além da necropolítica. Trab. educ. saúde [online]. 2021, vol.19, e 00315147. Epub Jan 11, 2021. ISSN 1981-7746. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00315


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